20 Março 2006

Falcão: Meninos do Tráfico



A Rede Globo exibiu ontem à noite Falcão: Meninos do Tráfico, documentário do rapper MV Bill e do produtor Celso Athayde. O programa deveria ter ido ao ar há uns dois anos, mas um imbróglio judicial envolvendo os produtores e a emissora adiara a exibição. Enfim, isso não importa. O que vale mesmo é a reflexão sobre as imagens de meninos e meninas da mais tenra idade à serviço do tráfico de drogas em diversas cidades do país. É isso que o documentário propõe. Então, vamulá:

1. O Estado brasileiro simplesmente não existe pra imensa maioria dos brasileiros. Há uma quantidade absurda de gente que, neste exato momento, vive num mundo totalmente diferente do meu e do seu, que lê este blog. Os meninos do tráfico mostrados ontem juntam-se às meninas de 8 anos que se prostituem por cinqüenta centavos no Nordeste, à população da zona da mata que não tem o que comer, às crianças que fazem malabarismo nos sinais, aos idosos humilhados nas filas do INSS, aos pacientes que morrem sem socorro nos hospitais públicos, aos..., aos..., a lista é interminável. É triste constatar, mas crianças traficando drogas são apenas uma foto no álbum de horrores em que se tornou o Brasil dos delúbios, valérios e outros filhos da puta. Vivemos numa republiqueta de bananas. E bananas podres.

2. Só existe tráfico de drogas porque há consumo de drogas. Essa é a mais rudimentar das leis de mercado. É preciso acabar com a hipocrisia da vitimização do usuário, típica da classe média. É ele, usuário, tão somente ele, quem fomenta a circulação de dinheiro nos morros. Lógico que isso não significa dizer que todo usuário deve ser preso, mas há que se pensar, sim, em penas restritivas de direitos, prestação de serviços comunitários e tratamentos de saúde bancados pelo poder público. E isso me leva ao próximo tópico.

3. O uso de drogas é uma questão de saúde pública, não apenas de polícia. Sua descriminalização precisa deixar de ser tabu. Precisamos discutir o assunto com a seriedade que ele merece, deixando emoção, religião, preconceitos e outras influências de lado. Já há um projeto de lei sério sobre o assunto, de autoria do deputado Fernando Gabeira, mas ninguém tem peito de sequer discutí-lo. Somente encarando o tema de frente, de forma racional, poderemos pensar em soluções objetivas que, no longo prazo, poderão salvar milhares de vidas. Pense que sempre haverá o consumo. Agora, imagine a venda de drogas sendo controlada pelo Estado, com toda a sua carga tributária sendo revertida pra campanhas de educação e programas de reabilitação de dependentes químicos. Isso pode reduzir drasticamente o mercado negro da droga e o poder paralelo que foi criado em torno dele, diminuindo a escala de violência. Ninguém vai deixar de usar drogas porque é proibido, do mesmo modo que ninguém passará a usá-las caso o consumo venha a ser permitido. As nossas convicções são formadas pela família, pelo círculo social, pela educação que recebemos, e não por uma lei dizendo o que pode ou não pode ser feito. Ou alguém precisa que o Código Penal diga que é proibido matar para não matar? Portanto, decidir pela descriminalização é um ato de caráter eminentemente prático.

4. Ainda não há registro de plantações de maconha e folha de coca nos morros cariocas. Tampouco existe uma fábrica da Colt lá em cima. Ou seja, as drogas e os AR-15 chegam ali por algum outro meio. Sufoque este meio (fronteiras, portos e aeroportos) e tá resolvido o problema. Simples assim. Resta saber que interesses seriam feridos com isso.

5. E, por último mas não menos importante, gostaria de dizer que o tráfico não é uma realidade inexorável pr'aqueles jovens. Sempre haverá uma alternativa ao crime. Sempre. Não acreditar nisso implica dizer que 100% dos moradores de comunidades carentes são bandidos, o que, obviamente, não é verdade. Há pessoas que conseguem dizer não, mesmo diante da adversidade.
Posted by Picasa

09 Março 2006

Breve num cinema perto de você...




















Depois de uma fuçada no Google e no IMDb, destaco alguns filmes que brevemente estarão nas telas por aqui:

Basic Instinct 2 - Risk Addiction
Direção: Michael Caton-Jones
Sharon Stone, David Morrisey, Charlotte Rampling

A continuação de "Instinto Selvagem", sem Michael Douglas. Dizer mais o quê? Perguntaram pra Sharon Stone como era o novo filme. "Estou nua. É tudo que vocês querem saber mesmo. Próxima pergunta".

Inside Man
Direção: Spike Lee
Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster

Um filme de Spike Lee sempre merece atenção. Com Denzel Washington no elenco, mais ainda (vide "Malcom X", "Mo'Better Blues" e "He Got Game"). Nesse thriller, um policial durão (quem? quem?) persegue um brilhante ladrão de bancos.

Ice Age 2 - The Meltdown
Direção: Carlos Saldanha
Ray Romano, John Leguizamo, Denis Leary (vozes)

Uma das melhores animações já feitas. Nessa continuação, o gelo começa a derreter e Diego, Manny e Sid passam um perrengue.

Find Me Guilty
Direção: Sidney Lumet
Vin Diesel, Annabela Sciorra

Comédia baseada na vida de Jack DiNorscio, um mafioso que fez sua própria defesa durante o julgamento que ficou conhecido como o mais longo da história da máfia nos EUA.

Don't Come Knocking
Direção: Wim Wenders
Sam Sheperd, Jessica Lange, Tim Roth

Howard Spence (Sam Sheperd, que também escreveu o roteiro) foi um astro do cinema em sua juventude. Aos 60 anos, se afunda nas drogas, no álcool e na companhia de jovens prostitutas pra fugir da dura realidade que o cerca.

07 Março 2006

Morph The Cat



De uns tempos pra cá, são muito poucos os artistas que me despertam algum interesse quando divulgam que irão lançar um disco novo. Brian Wilson, Paul McCartney, Stevie Wonder, Bob Dylan, Neil Young, talvez mais uma meia dúzia de três ou quatro e olhe lá. Dá pra contar nos dedos aqueles que ainda têm algo relevante a oferecer. Por isso, meus caros, quando saiu uma notícia dizendo que Donald Fagen preparava seu terceiro álbum solo (o primeiro em 13 anos), os genes da melomania em vosso amigo aqui começaram a se agitar.

O que em meados do ano passado era apenas uma grande promessa revelou-se, de fato, um dos melhores álbuns da música pop dos últimos tempos. Morph The Cat (2006), segundo o próprio Fagen define em entrevista ao site Allaboutjazz.com, encerra a trilogia iniciada com o estupendo The Nightfly (1981), seguido pelo não menos maravilhoso Kamakiriad (1993). Diz aê, Don: "The Nightfly is sort of looking from the standpoint of youth. Kamakiriad would be more about midlife. This new one is about endings really. I'm starting to get older and began to think about mortality a little more". O recado foi dado e a Reprise/Wea comprou a idéia. Ainda em 2006, a gravadora lançará um box set com os três álbuns que formam a crônica pessoal do ex-Steely Dan.

Falando nisso, o velho Donald está todo aqui: a fusão única de jazz, rock, funk e blues em arranjos sublimes, executados à perfeição pelo primeiro time de músicos de estúdio de Nova York e ex-parceiros de banda, como o baterista Keith Carlock, o pianista Ted Baker e o guitarrista Jon Herington; e as letras insólitas que fizeram de Fagen um dos melhores contadores-de-história-através-de-música desde os anos 70.

O homem que um dia escreveu "I got one and you want four / It's so hard to help you / I can't keep up with you no more / I fear the monkey in your soul" agora zoa uma funcionária de aeroporto em Security Joan ("Girl, you won't find my name on your list / Honey, you know, I ain't no terrorist") e até bate um papo com o falecido Ray Charles em What I Do ("He says Don, don't despair / Just take some time / You find your bad self / You're gonna do just fine").


Um álbum imperdível e grudento. Música de gente grande.
Posted by Picasa

04 Março 2006

78th Annual Academy Awards
















Atualizando o post:

Acertei quase todos os meus palpites. Tive a agradável surpresa de errar Melhor Filme e Roteiro Original. Quando tudo caminhava para a consagração do hype, eis que Crash -- efetivamente, um dos melhores filmes do ano passado -- arrebata o prêmio maior, que tudo indicava ir parar no colo dos produtores de Brokeback Mountain.

A história de amor entre os dois caubóis pastores de ovelhas, diga-se, não é ruim. Mas foi contada de modo arrastado, beirando o inverossímil em alguns momentos. Era uma boa premissa que não foi bem filmada. Crash é um roteiro ousado e muito bem construído na tela pelo diretor Paul Haggis, que, aliás, deveria ter ganhado o Oscar de melhor direção. Ficou a impressão de que a Academia premiou Ang Lee com o Oscar de consolação.

Continuo lamentando a ausência de Match Point na disputa deste ano. O filme de Woody Allen não é só um dos melhores de 2005. É um dos melhores (se não o melhor) de toda a sua carreira. E, conseqüentemente, da história recente da sétima arte.


*****

Meus palpites para amanhã à noite:

Melhor filme

Brokeback Mountain
Melhor direção

Ang Lee, por Brokeback Mountain
Melhor ator

Philip Seymour Hoffman, por Capote
Melhor atriz

Reese Whiterspoon, por Johnny & June
Melhor ator coadjuvante

George Clooney, por Syriana
Melhor atriz coadjuvante

Rachel Weisz, por O Jardineiro Fiel
Melhor roteiro original

George Clooney e Grant Heslov, por Boa Noite, e Boa Sorte
Melhor roteiro adaptado

Larry McMurtry e Diana Ossana, por Brokeback Mountain

Bem, essa é a lista dos que eu ACHO que vão levar, e não dos que eu TORÇO para. Brokeback Mountain é (fácil) um dos filmes mais chatos a que assisti esse ano. Tinha tudo pra ser um grande filme, mas não convence. Enfim, sabe-se lá por que razões, é o escolhido deste ano e deve levar, com Ang Lee à reboque na direção. Dos cinco filmes indicados, só não vi Boa Noite, e Boa Sorte. Dos que vi, Crash é, disparado, o melhor. Mas acho difícil o filme de Paul Haggis, que trata do racismo à flor da pele em Los Angeles, levar a estatueta. Ainda nas categorias de melhor filme e direção, lamento as ausências de David Cronenberg (por Marcas da Violência) e Woody Allen (por Match Point). Mas justiça nunca foi o forte do Oscar.

Philip Seymour Hoffman está excelente como Truman Capote. Não será nenhuma surpresa se ele sair premiado do teatro Kodak amanhã. Joaquin Phoenix mandou muito bem em Johnny & June, inclusive dispensando dublagem nas cenas em que interpretava as canções de Cash (o gogó é dele mesmo). Heath Ledger também tem chances (está melhor do que Jake Gyllenhaal em Brokeback), mas a interpretação de Hoffman para o maior escritor dos EUA deve mesmo sair vitoriosa. Surpresas seriam as premiações de Terrence Howard (Hustle & Flow) e David Strathaim (Boa Noite, e Boa Sorte), que correm por fora.

Atriz é barbada, né? Esse ano é de Reese e ninguém tasca. Mas lamento a ausência de Scarlett Johansson na disputa. Ela tira o fôlego como Nola Rice em Match Point.

A disputa para atriz coadjuvante, no entanto, vai ser bem mais dura. Catherine Keener está brilhante como a escritora Harper Lee em Capote. É a segunda indicação que ela recebe (a primeira foi por Quero Ser John Malkovich, em 1999). Michelle Williams também não deixou barato ao interpretar a mulher traída em Brokeback Mountain. Rachel Weisz rouba as cenas em O Jardineiro Fiel. Não vi as interpretações de Frances McDormand, em North Country, e de Amy Adams, em Junebug, mas acredito que a disputa fique realmente entre Catherine Keener, Michelle Williams e Rachel Weisz. Aposto na última.

A briga pelo careca de melhor ator coadjuvante vai ser outra pauleira. Matt Dylon, por Crash, e George Clooney, por Syriana, são os favoritos. Aposto em George Clooney. Jake Gyllenhaal, como disse, não está lá essas coisas em Brokeback Mountain. Acho que deveria ter sido indicado por sua atuação em Jarhead, de Sam Mendes, onde interpreta um soldado na iminência de partir para o combate na primeira Guerra do Golfo. Estava muito, muito melhor ali. Tem também o William Hurt. William Hurt é sempre William Hurt e terá chances de ser premiado até se for indicado para melhor-jogador-de-futebol-de-botão-nos-intervalos-de-filmagem. Sua atuação como o Richie Cusack em Marcas da Violência tá canastra na medida certa. Paul Giamatti é aquele ator que quase todo mundo conhece mas não sabe o nome. Participa de um monte de filmes, mas sem grande destaque. É um bom ator e tem provado isso em filmes como Man On The Moon, O Resgate do Soldado Ryan e Sideways. Sua atuação como um empresário do box em Cinderella Man lhe rendeu essa primeira indicação ao Oscar, mas acho que ele não leva.

Gostaria muito de ver Woody Allen premiado por melhor roteiro original esse ano. Mas a Academia realmente esnoba Woody Allen há anos. Das vinte indicações que ele recebeu desde 1977, só levou três: melhor direção e roteiro por Annie Hall (1977) e melhor roteiro por Hannah e Suas Irmãs (1986). Paul Haggis foi indicado ano passado por roteiro adaptado (Menina de Ouro) e fez um excelente trabalho em Crash, mas acho que esse ano o Oscar deve ficar mesmo com George Clooney e Grant Heslov.


Na categoria roteiro adaptado torço por Jeffrey Caine, por sua adaptação de O Jardineiro Fiel. Mas acho que Larry McMurtry e Diana Ossana vão dar mais esse pra Brokeback Mountain.

Bem, é isso. Na segunda atualizo o post com os vencedores.

03 Março 2006

(Re) Descobertas




















Poucos prazeres na vida chegam perto daquela ida a uma loja de discos pra conferir o que há de bom (confesso que ainda prefiro esse método à compra virtual, mais por razões afetivas do que tecnofóbicas) ou ficar horas explorando a velha estante de casa. O grande barato de revisitá-la, sem dúvida, é reencontrar aquele álbum que jaz solene, guardando verdadeiros tesouros (quase) esquecidos. Foi exatamente o que aconteceu com Music, segundo da dupla americana D-Train. Que disco maravilhoso! Deu vontade de voltar a tudo que eles produziram juntos (o que não é tarefa muito difícil). Enfim, não consigo parar de ouvir os caras desde que passei tudo pro iPod dia desses.

A vida fonográfica do D-Train foi bastante curta. Lançaram apenas 3 álbuns: You're The One For Me (1982), Music (1983) e Something's On Your Mind (1984), todos legítimos representantes do que de melhor se produzia em Soul e R'n'B na Nova York do início dos anos 80.

James "D-Train" Williams entrou com a cara, a voz personalíssima e o apelido, adquirido nos tempos de futebol americano na escola; Hubert Eaves III, rato de estúdio, além de compor, produzir e arranjar, ainda encarava baixo, teclados e bateria. Com uma mãozinha luxuosa do lendário DJ e remixer François Kevorkian, criaram alguns dos mais sacolejantes hits das pistas de dança, como Keep On, Music, You're The One For Me e Keep Giving Me Love. Só forças muito poderosas podem impedir um sujeito normal de sair dançando quando qualquer uma dessas pedradas começa a tocar.

Os caras encerraram a conta-conjunta em 1985. Mas tudo na boa. Hubert continuou seu trabalho de estúdio, produzindo discos de gente como Luther Vandross, Aretha Franklin, Jocelyn Brown, Whitney Houston e do próprio James Williams. Este, por sua vez, tocou a carreira solo e atuou como backing vocal ao longo dos anos 90. Seu último disco, 701 Franklin Avenue, foi lançado em 2001.

21 Fevereiro 2006

...U2 lá!



A essa altura todo mundo já viu, leu e ouviu que o U2 fez um show arrebatador em São Paulo ontem, né? Beleza. Só gostaria de reafirmar que a banda deve uma apresentação desse nível ao Rio de Janeiro, dado o fiasco que foi a primeira visita da rapaziada à cidade, em 1998.

Dito isso e tirando essa aura religiosa babaca que algumas pessoas insistem em impingir à banda (ou a qualquer outra banda), o que se viu foi um puta show de rock, com um set construído artesanalmente e executado à perfeição. É isso, mais nada. Quatro sujeitos em formação clássica de guitarra-baixo-bateria fazendo rock'n'roll de primeiríssima há mais de 25 anos. Tem como dar errado? Até tem. E a história dá zilhões de exemplos. Mas o que difere o U2 do resto é o carisma impressionante do Bono, a cozinha azeitada por um legítimo Carbonell extra virgem chamado Adam-Clayton-Larry-Mullen-Jr (os dois parecem um só) e, bem... Dave Evans. Só o U2 tem Dave Evans como guitarrista.

The Edge é daqueles músicos que você reconhece na primeira nota, ainda que de olhos fechados. Não são muitos os que têm esse talento: John Lee Hooker, Muddy Waters, Hendrix, B.B. King, Johnny Marr, Eric Clapton, Stevie Ray... não é só técnica. Técnica o Stevie Vai tem, o Joe Satriani também, e ambos são as merdas que todo mundo já conhece. Icebergs que tocam guitarra. Muito mais do que a técnica, os grandes guitarristas criaram uma identidade ao tocar, pessoal e intransferível. Cada nota que sai de seus instrumentos é um som da alma de cada um deles. The Edge tem esse dom. E é por isso que ele é, seguramente, um dos melhores guitarristas da história do rock.

O show de ontem foi dele.



P.S.: Que onda, hein? Mais de 70.000 cabeças no Morumbi e o Bono foi pegar logo uma carioca! ;-)

17 Fevereiro 2006

Stones aqui...



Atualizando o post após o show:

Ao final do espetáculo (nunca um adjetivo foi tão oportuno), ainda meio atordoado enquanto caminhava com a Lari pela Tonelero em direção à Ipanema, a única coisa que eu sentia era uma enorme sensação de alívio por ter tomado a decisão certa: deixar a TV e o ar condicionado para trás e ir assistir ao vivo a um dos melhores shows de rock'n'roll que uma banda é capaz de fazer.

Os Rolling Stones provaram que são, há muito, a maior (e melhor) banda de rock em atividade. Só faltou Gimme Shelter para o show ser perfeito. Mas isso foi um mero detalhe, um preciosismo de fã. A banda entregou tudo o que se esperava dela: a fusão devastadora de blues e rock, num set repleto de clássicos dos anos 60 e 70.

Que banda no mundo, meu Deus!, pode se dar ao luxo de abrir um show com pedradas como Jumpin' Jack Flash e It's Only Rock'n'Roll (But I Like It)? Há menos de 10 minutos no palco, Mick, Keith, Ronnie e Charlie já eram os reis da praia. Ponto.

Mas, para calar a boca de quem acha que os vovôs estão deitados no berço esplêndido do passado, alguns dos pontos altos do show foram os números do mais recente álbum, A Bigger Bang, o melhor disco da banda em anos: Rough Justice, Rain Fall Down (com um espetacular solo de baixo de Daryll Jones), This Place Is Empty e Oh, No, Not You Again (que, diz-se, Mick teria composto para Luciana Gimenez).

Num evento dessa magnitude, é óbvio que também houve os perrengues de sempre: furtos, bebedeiras, empurra-empurra, brigas, trânsito caótico, etc. Até parto teve. Mas nada, nem a péssima organização do evento, ofuscou o vigor da banda, que parecia querer retribuir o carinho do público tocando cada música com mais e mais energia.

Entonces, 24 horas após o show, tenho a dizer o seguinte:

1. Dinheiro público num evento como esse não dá. Havia patrocinadores privados para o show. Que eles fossem responsáveis por todo o investimento. À prefeitura e ao governo do estado cabem os serviços de apoio, como limpeza, segurança, socorro de emergência, engenharia de tráfego, etc.

2. Área vip na frente do palco? Que construíssem um "puxadinho" ao lado, nunca na frente, para atrapalhar. Só lembrando que falamos de um evento na praia, lugar público por natureza.

3. Um milhão e duzentas mil pessoas foram à praia de Copacabana no sábado. Dessas, umas quinhentas mil eram vendedores ambulantes. A prefeitura precisa criar um meio de cadastrar e controlar o comércio em mega eventos como esse.

4. Não dá para concentrar eventos desse tipo em Copacabana. O bairro ficou destruído após o show. O que foi feito da Cidade do Rock?

5. A galera do Chopin se fudeu, hein?

(Fim da atualização)

Como não vou poder levar a câmera para a praia amanhã, fui conferir como andam as coisas agora à noite. Os técnicos fazem o último teste de luz antes do show, daqui a menos de 24 horas. Copacabana ferve com bares lotados, barracas de camping na areia e calçadão repleto de gente de todos os cantos do mundo! Um calor puto, após o temporal de fim de tarde que deixou algumas partes do Rio alagadas.















A previsão da Polícia Militar é de cinco pessoas por metro quadrado na hora do show amanhã. Eu não acredito muito em previsões da PM. Imagine o público que no reveillón ocupa toda a extensão da orla espremido numa área de pouco mais do que dois quarteirões. Enfim, o que é isso quando se está falando do show de uma das melhores bandas de rock do mundo? Posted by Picasa